Entendendo a Menopausa
A peri-menopausa, menopausa e pós-menopausa são fases de transição natural, acompanhadas por mudanças hormonais que podem afetar o corpo de várias formas: rigidez muscular, desconforto lombar ou na anca, tensão torácica, alterações no sono ou no equilíbrio. Estes sinais não são imaginários nem exageros — são respostas fisiológicas a um corpo em transformação1. Muitas mulheres perguntam-se: ‘O que está a acontecer comigo?’ A resposta é simples: o seu corpo está a adaptar-se, e pode beneficiar de apoio especializado para fazer essa transição com mais conforto e consciência.
Como a Terapia Manual Pode Ajudar
Com a diminuição dos níveis de estrogénio, é comum sentir que os tecidos perdem hidratação e elasticidade23. A terapia manual — através de técnicas suaves de massagem, mobilização articular e abordagens como a diafragmática ou sacro-craniana — pode ajudar a restaurar movimento e aliviar tensões. Não se trata de ‘eliminar’ a rigidez (que faz parte deste processo), mas de melhorar a sua capacidade de movimento e bem-estar no dia a dia.
Além do alívio físico, muitas mulheres relatam que estas técnicas — especialmente as que trabalham a respiração e o sistema nervoso — trazem uma sensação de calma e reconexão com o corpo. Não é terapia psicológica, mas o toque consciente e a atenção individualizada podem ser um espaço de escuta para o que o seu corpo está a viver.
Benefícios Específicos
- Redução da rigidez e tensão: Trabalha a elasticidade dos tecidos e a mobilidade articular.
- Melhoria da postura e mobilidade: Ajuda a adaptar-se às mudanças no equilíbrio e na postura.
- Suporte emocional indireto: Técnicas como a diafragmática ou sacro-craniana podem promover relaxamento e bem-estar.
- Consciência corporal: Auxilia a reconhecer e gerir os novos limites e possibilidades do corpo.
Por Que Funciona
A terapia manual não ‘corrige’ a menopausa — afinal, esta é uma fase natural da vida. Mas pode ajudar o corpo a adaptar-se com mais fluidez. Ao trabalhar a mobilidade, a postura e a tensão muscular, o objetivo é que se sinta mais à vontade no seu corpo, com menos desconforto e maior consciência dos seus limites e possibilidades. Estudos como os de Espírito Santo et al. (2021)1 mostram que intervenções como estas melhoram o equilíbrio e a mobilidade funcional, especialmente quando combinadas com hábitos simples de autocuidado.
Pequenos Passos Diários
Para potencializar os efeitos da terapia manual, pequenos gestos fazem a diferença:
- Alongamentos suaves (ex: rolar os ombros ou esticar os braços acima da cabeça ao acordar).
- Respiração diafragmática (inspirar profundamente, expandindo a barriga, e expirar lentamente — ajuda a acalmar o sistema nervoso).
- Postura consciente (evitar ficar muito tempo na mesma posição, especialmente ao trabalhar ou usar telemóvel).
- Hidratação e movimento (caminhar, nadar ou dançar, conforme a sua energia permitir).
Não é preciso fazer tudo de uma vez. Escolha um ou dois hábitos e observe como o seu corpo responde.
O Que Acontece ao Seu Corpo
Muitas mulheres chegam à clínica com a mesma pergunta: ‘Porque é que o meu corpo já não responde como antes?’ A resposta está nas mudanças hormonais, que afetam não só os órgãos reprodutores, mas também músculos, articulações, fáscia e até o sistema nervoso23. Não é ‘coisa da sua cabeça’ — é biologia. E, como tal, pode ser trabalhada com técnicas adequadas.
Estudos adicionais, como os de Leranth et al. (2000)4 e Nicholson et al. (2020)5, destacam ainda o papel do estrogénio na saúde neurológica e muscular, reforçando a importância de abordagens integradas durante a menopausa.
Conclusão
A terapia manual não substitui o acompanhamento médico, mas pode ser um complemento valioso para esta fase. Se sente que o seu corpo precisa de apoio para se adaptar às mudanças da menopausa, uma sessão de avaliação pode ajudar a identificar as melhores técnicas para o seu caso. O objetivo não é prometer resultados milagrosos, mas oferecer ferramentas para que se sinta mais confiante, informada e apoiada nesta transição.
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Referências
Espírito Santo, J. et al. (2021). Menopausal symptoms, postural balance, and functional mobility in middle-aged postmenopausal women. DOI:10.3390/diagnostics11122178 ↩︎ ↩︎
Lee, H. R. et al. (2012). Functions and physiological roles of two types of estrogen receptors, ERα and ERβ. DOI:10.5625/lar.2012.28.2.71 ↩︎ ↩︎
Paterni, I. et al. (2014). Estrogen receptors alpha (ERα) and beta (ERβ): Subtype-selective ligands and clinical potential. DOI:10.1016/j.steroids.2014.06.012 ↩︎ ↩︎
Leranth, C., Roth, R. H., Elsworth, J. D., Naftolin, F., Horvath, T. L., & Redmond, D. E., Jr. (2000). Estrogen is essential for maintaining nigrostriatal dopamine neurons in primates: Implications for Parkinson’s disease and memory. J Neurosci, 20(23), 8604–8609. DOI:10.1523/JNEUROSCI.20-23-08604.2000 ↩︎
Nicholson, K., MacLusky, N. J., & Leranth, C. (2020). Synaptic effects of estrogen. Vitamins & Hormones, 114, 167–210. DOI:10.1016/bs.vh.2020.06.002 ↩︎