O que é
A dor ao levantar o braço é um dos sinais mais comuns de disfunção no ombro. Aparece quando levanta o braço acima da cabeça para pentear cabelo, vestir roupa, pegar em objetos ou durante movimentos do quotidiano.
Cientificamente, chama-se Síndrome de Dor Subacromial (SAPS), e representa uma irritação dos tendões e estruturas que se encontram entre o osso do ombro (acrómio) e a cabeça do úmero. Quando o braço sobe, o espaço diminui e as estruturas ficam comprimidas, causando dor.
Este é um dos motivos mais frequentes de procura de tratamento para o ombro, afetando pessoas de todas as idades, desde atletas a profissionais de escritório.
Quando aparece e sinais comuns
Reconheça se é isto que sente:
- Dor ao levantar o braço para a prateleira ou armário
- Desconforto ao pentear cabelo ou lavar a cabeça
- Dificuldade ao vestir camisolas ou casacos
- Incómodo durante exercício overhead (levantamento de pesos com braço esticado)
- Dor ao dormir, especialmente deitado sobre o ombro afetado
- Sensação de rigidez ou limitação ao acordar
- Arco doloroso - uma zona específica (geralmente entre 60-120°) onde o movimento dói especialmente
A dor costuma localizar-se no lado ou na frente do ombro, e pode irradiar para o braço. Muitas vezes começa de forma gradual, sem uma lesão específica, e vai piorando ao longo de semanas ou meses.
Possíveis causas
Este tipo de dor resulta de uma combinação de fatores:
Fatores estruturais
- Tendinite do tendão supraespinhoso (um dos tendões da manguito rotador)
- Inflamação da bursa subacromial (bolsa de fluído que amortece movimentos)
- Contraturas dos músculos que estabilizam a omoplata
- Falta de estabilidade escapular
- Redução do espaço subacromial por alterações posturais
Fatores biomecânicos
- Desequilíbrio muscular entre os músculos do ombro (rotadores externos fracos)
- Fraqueza do trapézio médio e inferior
- Desalinhamento postural (ombros elevados ou protraídos)
- Manutenção de posições de trabalho inadequadas
- Falta de coordenação escapuloumeral (movimento desincronizado entre omoplata e úmero)
Fatores de sobrecarga
- Trabalhos repetitivos com o braço elevado
- Treino intenso sem recuperação adequada
- Longas horas em posição sentada ao computador
- Movimentos repetitivos overhead (pintores, nadadores, jogadores de ténis)
- Carregar pesos de forma inadequada
O importante: Nem sempre significa lesão grave. A maioria dos casos é apenas sobrecarga acumulada com falta de mobilidade e estabilidade. Com tratamento adequado, a recuperação é muito frequente.
Posições e movimentos que agravam a dor
Tipicamente, a dor piora em:
- Movimentos de elevação: levantar o braço, especialmente entre 60° e 120° de abdução
- Atividades overhead: arremessar, nadar, pintar tetos
- Posições noturnas: deitar-se sobre o ombro afetado
- Trabalho ao computador prolongado: aumento de tensão no pescoço e omoplata
- Elevação com carga: carregar pesos com o braço em extensão
- Alcançar objetos atrás das costas: vestir casaco, apanhar carteira
- Empurrar ou puxar objetos pesados
Muitas vezes há um “arco doloroso” — uma zona específica do movimento onde a dor é mais intensa, melhorando quando passa essa amplitude.
Quando se preocupar
Sinais de Alerta Médica
Procure avaliação médica imediatamente se sentir:
- Dor intensa e súbita após queda ou impacto.
- Incapacidade total de levantar o braço.
- Inchaço significativo ou mudança de cor.
- Febre, calor intenso ou vermelhidão (sinais de infeção).
- Dormência ou formigueiro que desce pelo braço.
- Fraqueza progressiva que impede o movimento.
- Deformidade visível na articulação.
- Sem melhoria após 2 semanas de auto-cuidados.
Nota Positiva
Como a massagem terapêutica e terapia manual podem ajudar
O objetivo é reduzir a dor, recuperar a mobilidade completa e restabelecer padrões de movimento eficientes.
O que fazemos:
1. Libertação das tensões musculares
- Técnicas de massagem terapêutica para soltar a musculatura contraída do ombro e pescoço
- Trabalho no trapézio superior, peitoral e músculos da estabilização escapular
- Redução das contraturas que bloqueiam o movimento
- Aplicação de técnicas de tecidos moles para melhorar circulação
2. Mobilização articular
- Técnicas de mobilização da articulação glenoumeral para restaurar a amplitude
- Trabalho da omoplata para melhorar a sua dinâmica
- Libertação do impingement através de movimentos controlados
- Restauração do ritmo escapuloumeral
3. Tratamento dos tendões
- Técnicas de deslizamento dos tendões (tendon gliding)
- Estimulação do fluxo sanguíneo para acelerar recuperação
- Trabalho progressivo dentro da zona de tolerância
- Redução da inflamação através de técnicas específicas
4. Reeducação postural e movimento
- Correção de padrões posturais inadequados
- Treino de estabilização escapular
- Aprendizagem de movimentos eficientes
- Exercícios de controlo motor
5. Trabalho respiratório
- Relaxamento do pescoço e ombros através de respiração diafragmática
- Integração da respiração com o movimento
- Redução da tensão toráxica superior
Resultado esperado
A dor começa a aliviar nas primeiras sessões, e a mobilidade melhora progressivamente ao longo de dias. A maioria dos pacientes sente alívio significativo em 4 a 8 sessões, dependendo da severidade e da cronicidade do problema.
Quando encaminhar para especialista
Trabalho em coordenação com outros profissionais de saúde. Posso reencaminhá-lo para:
- Médico de família ou ortopedista: se há suspeita de lesão estrutural grave (rutura do tendão, lesão labral, etc.)
- Radiologia: para imaging (ecografia ou ressonância magnética) se necessário
- Fisioterapeuta: para reabilitação complementar e exercício progressivo supervisionado
- Médico do desporto: para atletas com necessidades específicas
A boa notícia: Investigação científica recente mostra que cirurgia de descompressão subacromial não é superior a tratamento conservador (massagem terapêutica, terapia manual e exercício) na maioria dos casos⁹.
O que esperar da sessão
Primeira avaliação (45-60 minutos)
- Entrevista detalhada sobre o histórico da dor
- Testes de mobilidade e força
- Avaliação postural e de padrões de movimento
- Identificação das restrições específicas
- Plano de tratamento personalizado
Sessões de tratamento (30-45 minutos)
- Técnicas de massagem e libertação muscular
- Mobilização articular
- Exercícios de estabilização
- Orientações para casa
Entre sessões
- Alongamentos e exercícios específicos
- Modificações posturais no quotidiano
- Progressão gradual da atividade
- Auto-massagem com bola ou rolo, se apropriado
Resultados típicos e prazos
Curto prazo (1-2 semanas)
- Redução de 30-50% da dor
- Melhoria na qualidade do sono
- Aumento leve da amplitude de movimento
- Redução da rigidez matinal
Médio prazo (4-8 semanas)
- Alívio significativo da dor (70-80% em muitos casos)
- Recuperação funcional completa para atividades do dia a dia
- Retorno gradual ao exercício
- Melhoria da estabilidade e controlo motor
Longo prazo (8-12 semanas)
- Resolução completa em casos não complicados
- Retorno a atividades overhead sem limitações
- Redução do risco de recorrência através de exercício de manutenção
- Integração de novos padrões de movimento
Variáveis que influenciam
- Severidade inicial: quanto mais grave, mais tempo pode ser necessário
- Duração dos sintomas: quanto mais crónico, mais tempo pode levar
- Adesão aos exercícios em casa: essencial para resultados ótimos
- Padrões posturais no trabalho: modificações necessárias para evitar recorrência
- Idade e condição física geral: influenciam capacidade de recuperação
Prova científica
Este tipo de dor está bem documentado na literatura científica internacional. Aqui estão as evidências sobre eficácia de tratamento conservador:
Diagnóstico e prevalência
- A Síndrome de Dor Subacromial representa 44-65% das queixas de ombro em consultas médicas¹
- Afeta atletas e pessoas com trabalhos repetitivos overhead²
Mecanismo
- Envolve desequilíbrio muscular com fraqueza dos rotadores externos e do trapézio médio/inferior³
- O desalinhamento escapular aumenta a compressão subacromial⁴
Eficácia de terapia manual, mobilização e exercício
- Múltiplas revisões sistemáticas demonstram que terapia manual combinada com exercício reduz dor significativamente⁵
- Meta-análise mostra que a combinação de terapia manual + exercício é superior a tratamento isolado⁶
- Estudos controlados randomizados confirmam que terapia manual diminui dor em 40-50% em 4-8 semanas⁷
- Investigação mostra que técnicas de mobilização articular melhoram funcionalidade do ombro em até 30%⁸
Comparação com cirurgia
- Dado crítico: Estudos de alta qualidade mostram que descompressão subacromial cirúrgica NÃO oferece benefício adicional em relação a tratamento conservador (massagem, terapia manual + exercício) para dor e função⁹
- Tratamento conservador oferece resultados comparáveis aos da cirurgia, sem os riscos associados a procedimentos invasivos
Tratamento combinado é mais eficaz
- A combinação de terapia manual com exercício mostra resultados superiores a qualquer tratamento isolado¹⁰
Referências científicas
¹ NCBI - Shoulder Impingement Syndrome (2023) - StatPearls
² Cleveland Clinic - Shoulder Impingement
³ International Journal of Sports Physical Therapy (2011)
⁴ PMC - Subacromial Pain Syndrome Guideline - Dutch Orthopedic Association
⁵ JOSPT - Systematic Review of Conservative PT Interventions (2020)
⁶ PMC - Manual Therapy and Exercise for Rotator Cuff (2024)
⁷ PMC - Effectiveness of Manual Physical Therapy for Shoulder Conditions (2009)
⁸ AAOS - Shoulder Impingement/Rotator Cuff Tendinitis
⁹ PMC - Subacromial Impingement Syndrome: Medical Myth? (2022)
¹⁰ ScienceDirect - Shoulder Pain Treatment Guideline
Exercícios complementares (para fazer em casa)
Importante: Estes exercícios devem ser feitos sem dor. Se sentir dor, pare e procure orientação profissional.
1. Alongamento do peitoral (2x/dia)
Coloque o braço numa ombreira de porta (cotovelo a 90°) e rode o corpo para o lado oposto. Mantenha 30 segundos.
2. Retração escapular (3x/dia, 10 repetições)
Sentado com postura direita, aperte as omoplatas para trás e para baixo, como se quisesse apertar um lápis entre elas.
3. Elevação escapular controlada (2x/dia, 10 repetições)
De pé junto à parede, deslize o braço pela parede para cima, mantendo a omoplata estável.
4. Rotação externa com banda elástica (1x/dia, 15 repetições)
Com cotovelo junto ao corpo, puxe banda elástica para fora, fortalecendo rotadores externos.
Próximas leituras relacionadas
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Última atualização: 15 de Janeiro de 2025