Dor no Ombro ao Dormir: Porque acontece e como resolver

Não consegue encontrar posição na cama? Acorda com o ombro a latejar? Entenda porque a dor piora à noite e como a terapia manual devolve o seu descanso.

8 min de leitura
Ombro e Braço Muito Comum Moderada (Impacto no Sono)
Recuperação Típica Aproximadamente 4 a 8 semanas (casos típicos)

Se a dor no ombro não o deixa dormir, se acorda a meio da noite com uma sensação de “agrada” ou latejar, ou se teve de deixar de dormir sobre o seu lado preferido, este guia é para si. Vamos descomplicar o que se passa no seu ombro e explicar como o tratamento certo pode devolver-lhe noites tranquilas.


Porque é que o ombro dói mais à noite?

Anatomia do ombro sob pressão ao deitar
Ao deitar, perdemos o efeito da gravidade e a articulação 'fecha', apertando as estruturas sensíveis.

Muitos pacientes perguntam-me: “Porque é que durante o dia consigo mexer-me mais ou menos bem, mas mal me deito a dor aparece?”

A explicação mecânica é simples. Durante o dia, a gravidade puxa o braço para baixo, criando um pequeno “espaço de folga” dentro da articulação do ombro. Quando nos deitamos, perdemos esse efeito. O braço sobe ligeiramente e comprime a bursa e os tendões (a famosa “coifa dos rotadores”) contra o osso.

Se já existe uma inflamação (bursite ou tendinite), essa compressão extra ao deitar funciona como pisar uma mangueira: a pressão aumenta, a circulação diminui e a dor dispara. [1][4][6]


A Minha Abordagem Clínica

Visão Sistémica

O sono não é negociável

Se o ombro o impede de dormir, o corpo entra em stress e não recupera. A minha prioridade não é apenas “tratar o ombro”, é devolver-lhe o sono. Muitas vezes, para o ombro relaxar, precisamos primeiro de soltar as costas e as costelas, para que consiga “encaixar” no colchão sem esmagar o braço. [2][3]
Tratamento Sintomático (Químico)

Muitas pessoas recorrem a anti-inflamatórios apenas para conseguir dormir.

  • Desligar o Alarme: O químico mascara a dor, mas “não apaga o fogo”.
  • Compressão Contínua: A articulação continua apertada mecanicamente durante a noite.
  • Efeito Temporário: A dor volta assim que o efeito do medicamento passa.
Abordagem Funcional (Mecânica)

Focamos em criar espaço dentro da articulação e ensinar posições de alívio.

  • Deixar de Esmagar: Paramos de comprimir a “ferida” todas as noites.
  • Cura Natural: A inflamação baixa naturalmente porque removemos a agressão mecânica.
  • Sono Reparador: Recuperação real sem dependência química.

O que está a causar esta dor?

Para além da posição de dormir, existem fatores que transformam um desconforto ligeiro numa noite em claro:

Os principais culpados

  • Bursite (A ‘Almofada’ Inflamada): Temos uma pequena bolsa de fluido (bursa) que protege os tendões. Quando inflamada, ela odeia pressão direta. É por isso que deitar sobre o ombro é impossível. [1]
  • Tendões ‘Cansados’: Pequenos desgastes nos tendões da coifa tornam-nos sensíveis. Se dorme com o braço debaixo da almofada (acima da cabeça), está a torcer esses tendões a noite toda. [4][6]
  • Costas Rígidas: Se a sua coluna torácica (a zona das omoplatas) for muito rígida, o ombro não tem onde se apoiar e acaba por suportar todo o peso do tronco. [2][3]


Sinais de Alerta

A Terapia Manual resolve a grande maioria destes casos, mas deve consultar um médico se:

  • A dor for excruciante mesmo sem se mexer (repouso absoluto).
  • Tiver febre ou o ombro estiver quente e vermelho.
  • Tiver uma perda de força súbita (não conseguir levantar o braço de todo).

Como a Terapia Manual Resolve o Problema

O nosso objetivo no consultório é simples: Dar espaço ao tendão para respirar.

  1. Criar Espaço Articular: Utilizamos técnicas manuais suaves para mobilizar o ombro, aliviando a pressão sobre a bursa e os tendões. O alívio costuma ser imediato. [1][2]
  2. Soltar a “Armadura”: Relaxamos os músculos do peito, pescoço e costas que, devido à dor, estão contraídos e a puxar o ombro para uma posição errada. [2][3]
  3. Higiene do Sono: Ensinamos exatamente como usar almofadas para posicionar o braço de forma neutra, permitindo que durma sem dor enquanto a lesão cicatriza.
  4. Fortalecer sem Magoar: Introduzimos exercícios específicos que ativam a musculatura sem agredir a zona inflamada. [2][3]

A evidência científica atual recomenda que a dor subacromial seja tratada, na maioria dos casos, com fisioterapia e exercício, evitando cirurgias desnecessárias. [1][5]

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O Que Esperar do Tratamento

Resultados Típicos
1-2
Fase de Alívio:
  • Menos despertares noturnos.
  • Aprende a encontrar uma posição confortável na cama.
  • O ombro parece mais “leve” de manhã.
3-6
Fase de Recuperação:
  • Já consegue dormir de lado por períodos maiores.
  • Recupera movimentos do dia-a-dia (vestir casaco, pentear) sem dor.
6+
Manutenção:
  • Sono contínuo e reparador.
  • O ombro está forte o suficiente para prevenir que a dor regresse.

Dicas Práticas para Hoje à Noite

O Abraço da Almofada

Ao dormir · Sempre que necessário
Se dorme sobre o lado ‘bom’: Não deixe o braço que dói cair sobre o peito (isso fecha o ombro). Abrace uma almofada grande junto ao tronco e pouse o braço dorido em cima dela. Isso mantém a articulação aberta e neutra.

Livro Aberto (Open Book)

10 repetições suaves · Antes de deitar
Deite-se de lado, joelhos dobrados. Com o braço de cima, faça um movimento de abertura (como abrir um livro), tentando levar as costas ao colchão. Isto relaxa a tensão nas costelas e prepara o corpo para o sono. [2]

Perguntas Frequentes

Porque é que dói tanto à noite? É uma combinação de inflamação com falta de movimento. Durante o dia, o movimento “bombeia” fluidos. À noite, a compressão estática e a falta de gravidade acumulam pressão na zona inflamada.

Os medicamentos resolvem? Ajudam a “calar” a dor temporariamente, mas não resolvem o conflito mecânico (a falta de espaço no ombro). A terapia manual e o exercício resolvem a causa.

Quanto tempo até ficar bom? Depende de cada pessoa, mas com o tratamento certo, a maioria dos pacientes sente um alívio significativo na qualidade do sono logo nas primeiras 2 a 4 semanas.


Referências Científicas

Referências Científicas
1

Diercks, R. L., et al. (2014). Guideline for diagnosis and treatment of subacromial pain syndrome. Acta Orthopaedica.

2

Hanratty, C. E., et al. (2017). Effectiveness of conservative interventions including exercise and manual therapy. British Journal of Sports Medicine.

3

Pieters, L., et al. (2020). Conservative interventions for subacromial shoulder pain. JOSPT.

4

Longo, U. G., et al. (2019). Sleep disturbances and rotator cuff tears. Medicina.

5

Spark, J., et al. (2025). British Elbow and Shoulder Society patient care pathway. Shoulder & Elbow.

6

Austin, L., et al. (2018). Sleep quality in patients with rotator cuff disease. JAAOS.

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