Começa a caminhar e, passados 200 metros, sente um aperto progressivo na barriga da perna. Parece que o músculo vai estourar ou que uma brasa se acendeu ali dentro. Pára um pouco, a dor alivia, mas assim que retoma o passo, o ciclo repete-se.
Se isto lhe soa familiar, saiba que a dor na panturrilha é um dos sintomas mais “enganadores” do corpo: pode ser apenas muscular, mas também pode esconder problemas de circulação nas artérias ou irritação dos nervos lombares. É por isso que o contexto em que a dor aparece é tão importante.[1][2]
O Mistério da Panturrilha: Por que dói ao andar?
Muitos pacientes chegam ao consultório convencidos de que têm uma “contratura eterna” ou que precisam de comer mais potássio para as cãibras. No entanto, quando a dor tem um padrão de distância (aparece sempre após caminhar X metros e melhora ao parar), isso é um sinal clássico de que algo não está a chegar ao músculo: ou sangue (oxigénio) ou informação nervosa.[1][2]
Os 3 Suspeitos do “Aperto” e “Queimação”
- Causa muscular e miofascial (o mais comum na prática): Pontos de tensão profunda (trigger points) nos gémeos (gastrocnémio) e sóleo. Sob carga repetida (caminhada, subidas, corrida), estes pontos podem gerar dor local, sensação de “braçadeira” a meio da perna e dor referida até ao calcanhar.[7]
- Causa nervosa (ciática ou estenose lombar): O problema vem do “cabo elétrico” — as raízes nervosas lombares e o nervo ciático. Ao caminhar, determinadas posturas podem comprimir estes nervos, causando dor em queimadura, peso ou fraqueza na perna, por vezes aliviando ao sentar ou ao inclinar o tronco para a frente (sinal do carrinho de compras).[1][2][3]
- Causa vascular (doença arterial periférica – alerta médico): As artérias que levam sangue à perna podem estar estreitadas. O músculo quer trabalhar, mas o sangue não chega em quantidade suficiente, surgindo dor tipo cãibra ou aperto previsível após uma certa distância de marcha. Aqui, é essencial avaliação médica, porque a resolução depende de controlar os fatores de risco e, em alguns casos, de intervenção vascular.[1]
A Minha Visão Clínica
O Tornozelo e a Panturrilha: a bomba da perna
Muitas vezes, a queimação na panturrilha não é apenas um problema do músculo em si, mas de uma “dobradiça” presa. Se a articulação do tornozelo (talar) não tem mobilidade suficiente, a panturrilha é obrigada a trabalhar o dobro em cada passo, o que aumenta a tensão e o cansaço local.[4][5]
Os músculos da panturrilha funcionam também como uma bomba que ajuda o sangue a regressar ao coração. Quando se caminha pouco, se mantém o tornozelo rígido ou se usa calçado que bloqueia o movimento, esta bomba venosa trabalha pior, o que pode contribuir para sensação de peso, aperto e inchaço no final do dia.[6]
Como Distinguir a Origem da Dor?
Sinais que exigem avaliação médica
- Pele fria ou mais pálida: A perna muda claramente de cor ou temperatura em comparação com o lado oposto.
- Pulsos diminuídos: A pulsação no pé é difícil de sentir (a ser avaliado por profissional de saúde).
- Dor em repouso ou à noite: A dor não acalma mesmo quando se senta ou deita, podendo obrigar a pendurar a perna fora da cama.
- Histórico de risco: Fumador, diabético, hipertenso ou com antecedentes de doença cardiovascular, com dor nova na panturrilha ao esforço.[1]
Pistas de origem mecânica/neurogénica
- Alívio ao sentar ou inclinar o tronco à frente: A dor diminui ao se apoiar num carrinho de compras ou ao dobrar o tronco, padrão típico de claudicação neurogénica por estenose lombar.[1][2][3]
- Ponto de gatilho reproduz a dor: Ao pressionar um “nó” na panturrilha, surge exatamente o padrão de dor que sente a caminhar, o que sugere componente miofascial.[7]
- Amplitude limitada do tornozelo: Sente o tornozelo rígido, sobretudo ao descer escadas ou agachar, e percebe que quanto mais o tornozelo mexe, menos a panturrilha se queixa.[4][5]
- Sintoma ligado ao movimento e à carga: A dor varia claramente com o tipo de piso, inclinação, calçado e ritmo de marcha, mais do que com o simples facto de estar vivo ou deitado.[2][7]
- Pele fria ou mais pálida: A perna muda claramente de cor ou temperatura em comparação com o lado oposto.
- Pulsos diminuídos: A pulsação no pé é difícil de sentir (a ser avaliado por profissional de saúde).
- Dor em repouso ou à noite: A dor não acalma mesmo quando se senta ou deita, podendo obrigar a pendurar a perna fora da cama.
- Histórico de risco: Fumador, diabético, hipertenso ou com antecedentes de doença cardiovascular, com dor nova na panturrilha ao esforço.[1]
- Alívio ao sentar ou inclinar o tronco à frente: A dor diminui ao se apoiar num carrinho de compras ou ao dobrar o tronco, padrão típico de claudicação neurogénica por estenose lombar.[1][2][3]
- Ponto de gatilho reproduz a dor: Ao pressionar um “nó” na panturrilha, surge exatamente o padrão de dor que sente a caminhar, o que sugere componente miofascial.[7]
- Amplitude limitada do tornozelo: Sente o tornozelo rígido, sobretudo ao descer escadas ou agachar, e percebe que quanto mais o tornozelo mexe, menos a panturrilha se queixa.[4][5]
- Sintoma ligado ao movimento e à carga: A dor varia claramente com o tipo de piso, inclinação, calçado e ritmo de marcha, mais do que com o simples facto de estar vivo ou deitado.[2][7]
Sintomas Comuns: “Aperta e Queima”
Onde e como a dor se manifesta
- A “braçadeira”: Sensação de que um torniquete está a apertar a barriga da perna a meio do percurso.
- Irradiação para o calcanhar ou tornozelo: A dor começa na panturrilha e “escorre” para o calcanhar ou para a frente do tornozelo, especialmente em subidas ou descidas.
- Pernas inquietas ao final do dia: Necessidade de mexer as pernas à noite devido ao desconforto acumulado do dia.
- Fadiga súbita: Sensação de que a perna fica de repente pesada, “de chumbo”, e que precisa de parar para recuperar.[1][7]
Atenção: Trombose Venosa Profunda (TVP)
Como a Terapia Manual Pode Ajudar
Depois de excluídas causas médicas graves (como TVP, claudicação vascular significativa ou compressão neurológica importante), o foco passa a ser devolver liberdade de movimento às articulações e tecidos moles da perna e tornozelo.[4][5]
- Mobilização do tornozelo (articulação talar): Técnicas manuais para melhorar a dorsiflexão e o deslizamento da tíbia sobre o astrágalo, reduzindo a sobrecarga mecânica na panturrilha a cada passo.[4][5]
- Neurodinâmica do nervo ciático/tibial: Movimentos controlados que permitem ao nervo deslizar melhor entre os músculos, reduzindo a sensação de queimadura ou de “perna de pau” em alguns casos de claudicação neurogénica.[2][3]
- Tratamento de trigger points: Inativação manual dos pontos de dor nos gémeos e sóleo, muitas vezes com manobras de compressão mantida e alongamento suave, ajudando a reduzir cãibras e dor referida.[7]
- Trabalho na fáscia plantar e cadeia posterior: Em muitas pessoas, a tensão sobe da planta do pé para a panturrilha; tratar apenas a barriga da perna não é suficiente se a base continuar rígida.
Estes métodos não substituem medicação ou cirurgia quando necessários, mas podem ser uma parte importante do plano conservador para melhorar a distância de marcha, reduzir dor e aumentar a confiança ao andar.[4][5][6]
O Caminho para a Recuperação
Resultados Típicos
- Redução da sensação de aperto e cansaço imediato após caminhar curtas distâncias.
- Perceção de maior “fluidez” ao dar os primeiros passos do dia.
- Redução da sensação de aperto e cansaço imediato após caminhar curtas distâncias.
- Perceção de maior “fluidez” ao dar os primeiros passos do dia.
- Melhoria da mobilidade do tornozelo e menor rigidez da panturrilha ao esforço.
- A dor deixa, em muitos casos, de irradiar até ao calcanhar ou diminui de intensidade.
- Melhoria da mobilidade do tornozelo e menor rigidez da panturrilha ao esforço.
- A dor deixa, em muitos casos, de irradiar até ao calcanhar ou diminui de intensidade.
- Aumento da distância que consegue caminhar sem ter de parar por dor.
- Autonomia para usar exercícios e rotinas simples de auto-cuidado para manter a panturrilha “solta”.
- Aumento da distância que consegue caminhar sem ter de parar por dor.
- Autonomia para usar exercícios e rotinas simples de auto-cuidado para manter a panturrilha “solta”.
Resultados Típicos
- Redução da sensação de aperto e cansaço imediato após caminhar curtas distâncias.
- Perceção de maior “fluidez” ao dar os primeiros passos do dia.
- Redução da sensação de aperto e cansaço imediato após caminhar curtas distâncias.
- Perceção de maior “fluidez” ao dar os primeiros passos do dia.
- Melhoria da mobilidade do tornozelo e menor rigidez da panturrilha ao esforço.
- A dor deixa, em muitos casos, de irradiar até ao calcanhar ou diminui de intensidade.
- Melhoria da mobilidade do tornozelo e menor rigidez da panturrilha ao esforço.
- A dor deixa, em muitos casos, de irradiar até ao calcanhar ou diminui de intensidade.
- Aumento da distância que consegue caminhar sem ter de parar por dor.
- Autonomia para usar exercícios e rotinas simples de auto-cuidado para manter a panturrilha “solta”.
- Aumento da distância que consegue caminhar sem ter de parar por dor.
- Autonomia para usar exercícios e rotinas simples de auto-cuidado para manter a panturrilha “solta”.
* Resultados variam conforme severidade, cronicidade e adesão ao tratamento.
Nota: estes prazos são médias observadas em causas mecânicas e miofasciais. Quando existe doença arterial periférica ou estenose lombar significativa, o plano de recuperação depende da abordagem médica e pode ser mais longo.[1][2]
Exercícios de “SOS” para a Panturrilha

Libertação com Bola de Ténis
2 minutos por perna · Diário
Libertação com Bola de Ténis
Exercício
Mobilização do Tornozelo na Parede
15 repetições · Antes de caminhar
Mobilização do Tornozelo na Parede
ExercícioPerguntas Frequentes
Pode ser falta de magnésio? O magnésio participa na função muscular, mas a dor que aparece sempre após caminhar uma certa distância e melhora ao parar é, na maioria dos casos, mais um problema de circulação ou de nervos do que simplesmente “falta de minerais”.[1]
As meias de compressão ajudam? Podem ajudar quando há insuficiência venosa (retorno do sangue dificultado), mas podem ser desconfortáveis ou até desadequadas em situações de doença arterial significativa ou compressão nervosa. É importante uma avaliação antes de as usar de forma prolongada.[1]
Evidência Científica
Referências Científicas
Nadeau, M., Rosas-Arellano, P., Leroux, A., et al. (2013). The reliability of differentiating neurogenic claudication from vascular claudication based on symptomatic presentation. The Spine Journal, 13(8), 806–812.
Houle, M., et al. (2021). Comparison of walking variations during treadmill tests to distinguish neurogenic from vascular claudication. Gait & Posture.
Khodulev, V., et al. (2023). Significance of A-waves in isolated calf pain as a manifestation of radicular pain: A case report. Cureus, 15(2).
Prabhakaradoss, D., et al. (2021). Effect of manual therapy and conventional physiotherapy on pain, ankle dorsiflexion and disability in acute and subacute ankle sprain. International Journal of Sports and Exercise Health Research.
de Paula, A. L., et al. (2025). Effect of manual therapy techniques on ankle dorsiflexion range of motion: A systematic review of randomized controlled trials.
Referências Científicas
Nadeau, M., Rosas-Arellano, P., Leroux, A., et al. (2013). The reliability of differentiating neurogenic claudication from vascular claudication based on symptomatic presentation. The Spine Journal, 13(8), 806–812.
Houle, M., et al. (2021). Comparison of walking variations during treadmill tests to distinguish neurogenic from vascular claudication. Gait & Posture.
Khodulev, V., et al. (2023). Significance of A-waves in isolated calf pain as a manifestation of radicular pain: A case report. Cureus, 15(2).
Prabhakaradoss, D., et al. (2021). Effect of manual therapy and conventional physiotherapy on pain, ankle dorsiflexion and disability in acute and subacute ankle sprain. International Journal of Sports and Exercise Health Research.
de Paula, A. L., et al. (2025). Effect of manual therapy techniques on ankle dorsiflexion range of motion: A systematic review of randomized controlled trials.